ENSAIO AUTOBIOGRÁFICO: JORGE LUIS BORGES

Estante do Justo

Jorge Luis Borges (Buenos Aires, 1899 – Genebra, 1986) não foi somente um grande escritor, foi também um fenômeno cultural. Sua obra é dominada pelos contos e um pouco menos por poesia e outros gêneros literários. Criou um estilo difícil de ser imitado, mesmo que não pareça. Seus temas são incomuns, sua abordagem da realidade é incomum. Despertou grande curiosidade sobre o homem que foi, entre os que o leram e os que não o leram mas tiveram notícia de sua magnitude intelectual. Ele comentou sobre outros autores algo como: nem sempre é possível encontrar o escritor em sua obra. No caso dele há sempre muita incerteza quanto a formatos para sua identidade. Retratou-se no que produziu, talvez inevitavelmente. Há que se saber lê-lo também nesta dimensão, mas sem garantia de desenhos inequívocos. Lutou bravamente contra excessos narcísicos. Buscou no mundo que enxergou, com todos os olhares de que pode…

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“Theory of Memory” by Louise Glück

Texto maravilhoso! Ilustração magnífica!

Nexus

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Long, long ago, before I was a tormented artist, afflicted with longing yet
incapable of forming durable attachments, long before this, I was a glorious
ruler uniting all of a divided country—so I was told by the fortune-teller
who examined my palm. Great things, she said, are ahead of you, or perhaps
behind you; it is difficult to be sure. And yet, she added, what is the difference?
Right now you are a child holding hands with a fortune-teller. All the
rest is hypothesis and dream.

“Theory of Memory” by Louise Glück, from Faithful and Virtuous Night. © Farrar, Straus and Giroux, 2014.

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El plano de París

Calle del Orco

Llega ese día que después de haberla caminado tanto, mirado desde tantas luces y humores y perspectivas, nace como una necesidad de síntesis, de aprehender la ciudad en su totalidad huyente, o extremar hasta el límite la ubicuidad del recuerdo para coagular millones de fragmentos en la visión unitiva. Quisiéramos que se nos dé en una sola presencia, o que algo en nosotros se fragmente hasta abarcar el todo como acaso lo abarca el ojo facetado de la mosca.

Ese día la contemplación sucesiva de calles o de fotos o de recuerdos se vuelve una irritante postergación de esa amalgama en la que la ciudad nos cedería por fin su más profunda imagen, sabemos que será imposible, que el más dilatado panorama desde una torre o un helicóptero nos mostrará apenas algo más de lo que puede darnos un buen plano. Y es quizá entonces que la noción de plano…

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A globalização sem limites nos confinou em casa

Blog da Boitempo

Por Gilberto Maringoni.

Toda a lógica societária à qual nos acostumamos desde os anos 1980 se desmanchou no ar nas últimas semanas. Para nós brasileiros, mais exatamente desde o último fim de semana (14/15 de março), quando os números da disseminação do coronavírus mostraram expansão geométrica.

A percepção dessa mudança de lógica é tão abrupta, tão repentina e violenta que afeta nossos sentidos. É como se estivéssemos em um voo acrobático, após dois loopings, um parafuso e um tunô de barril. Com a cabeça meio girada, você leva alguns segundos para perceber onde está o horizonte, de que lado estão o céu e a terra e em que direção ficou a pista para a qual você deve voltar. Isso sem contar, para os novatos, aquela horripilante sensação do cérebro ter trocado de lugar com o estômago.

Ao longo de quatro décadas digerimos a ideia de que a felicidade chegara…

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Paulo Arantes: Entre os destroços do presente

Blog da Boitempo

recorte artur[Paulo Arantes, no lançamento de seu livro mais recente O novo tempo do mundo. O debate, que contou com a presença de Jorge Grespan e Silvia Viana, está disponível na íntegra aqui.]

Entrevista especial com Paulo Arantes.*

Esta “entrevista” foi precedida por uma longa conversa de Paulo Arantes com Aray Nabuco e Lilian Primi, em meados de outubro, de cuja transcrição extraíram as perguntas que foram respondidas por escrito em fins de dezembro de 2014, início de janeiro deste ano. O resultado foi publicado parcialmente na Caros Amigos #215 de fevereiro de 2015., com o título: “O capitalismo está morrendo de overdose”. A versão integral do texto de que o leitor agora dispõe foi enviada diretamente pelo autor ao Blog da Boitempo complementada por um postscriptum redigido na primeira semana de abril intitulado “O nome da crise“, sobre os “idos de março”.

* * *

O senhor é um…

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David Harvey: Política anticapitalista em tempos de coronavírus

Blog da Boitempo

Por David Harvey.

* Publicado originalmente em inglês na Democracy at Work. A tradução é de Cauê Seigner Ameni, para a Jacobin Brasil.

Ao tentar interpretar, entender e analisar o fluxo diário de notícias, tenho a tendência de localizar o que está acontecendo em dois cenários distintos, mas interligados, de como o capitalismo funciona. O primeiro cenário é um mapeamento das contradições internas da circulação e acumulação de capital, à medida que o valor monetário flui em busca de lucro através dos diferentes “momentos” (como Karl Marx os chama) de produção, realização (consumo), distribuição e reinvestimento. Este é o arranjo da economia capitalista como uma espiral de expansão e crescimento sem fim. Fica mais complicado à medida que é analisado, por exemplo, através das rivalidades geopolíticas, desenvolvimentos geográficos desiguais, instituições financeiras, políticas estatais, reconfigurações tecnológicas e a rede em constante mudança de divisões do trabalho e relações…

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