El plano de París

Calle del Orco

Llega ese día que después de haberla caminado tanto, mirado desde tantas luces y humores y perspectivas, nace como una necesidad de síntesis, de aprehender la ciudad en su totalidad huyente, o extremar hasta el límite la ubicuidad del recuerdo para coagular millones de fragmentos en la visión unitiva. Quisiéramos que se nos dé en una sola presencia, o que algo en nosotros se fragmente hasta abarcar el todo como acaso lo abarca el ojo facetado de la mosca.

Ese día la contemplación sucesiva de calles o de fotos o de recuerdos se vuelve una irritante postergación de esa amalgama en la que la ciudad nos cedería por fin su más profunda imagen, sabemos que será imposible, que el más dilatado panorama desde una torre o un helicóptero nos mostrará apenas algo más de lo que puede darnos un buen plano. Y es quizá entonces que la noción de plano…

Ver o post original 1.847 mais palavras

A globalização sem limites nos confinou em casa

Blog da Boitempo

Por Gilberto Maringoni.

Toda a lógica societária à qual nos acostumamos desde os anos 1980 se desmanchou no ar nas últimas semanas. Para nós brasileiros, mais exatamente desde o último fim de semana (14/15 de março), quando os números da disseminação do coronavírus mostraram expansão geométrica.

A percepção dessa mudança de lógica é tão abrupta, tão repentina e violenta que afeta nossos sentidos. É como se estivéssemos em um voo acrobático, após dois loopings, um parafuso e um tunô de barril. Com a cabeça meio girada, você leva alguns segundos para perceber onde está o horizonte, de que lado estão o céu e a terra e em que direção ficou a pista para a qual você deve voltar. Isso sem contar, para os novatos, aquela horripilante sensação do cérebro ter trocado de lugar com o estômago.

Ao longo de quatro décadas digerimos a ideia de que a felicidade chegara…

Ver o post original 1.550 mais palavras

Paulo Arantes: Entre os destroços do presente

Blog da Boitempo

recorte artur[Paulo Arantes, no lançamento de seu livro mais recente O novo tempo do mundo. O debate, que contou com a presença de Jorge Grespan e Silvia Viana, está disponível na íntegra aqui.]

Entrevista especial com Paulo Arantes.*

Esta “entrevista” foi precedida por uma longa conversa de Paulo Arantes com Aray Nabuco e Lilian Primi, em meados de outubro, de cuja transcrição extraíram as perguntas que foram respondidas por escrito em fins de dezembro de 2014, início de janeiro deste ano. O resultado foi publicado parcialmente na Caros Amigos #215 de fevereiro de 2015., com o título: “O capitalismo está morrendo de overdose”. A versão integral do texto de que o leitor agora dispõe foi enviada diretamente pelo autor ao Blog da Boitempo complementada por um postscriptum redigido na primeira semana de abril intitulado “O nome da crise“, sobre os “idos de março”.

* * *

O senhor é um…

Ver o post original 17.240 mais palavras

David Harvey: Política anticapitalista em tempos de coronavírus

Blog da Boitempo

Por David Harvey.

* Publicado originalmente em inglês na Democracy at Work. A tradução é de Cauê Seigner Ameni, para a Jacobin Brasil.

Ao tentar interpretar, entender e analisar o fluxo diário de notícias, tenho a tendência de localizar o que está acontecendo em dois cenários distintos, mas interligados, de como o capitalismo funciona. O primeiro cenário é um mapeamento das contradições internas da circulação e acumulação de capital, à medida que o valor monetário flui em busca de lucro através dos diferentes “momentos” (como Karl Marx os chama) de produção, realização (consumo), distribuição e reinvestimento. Este é o arranjo da economia capitalista como uma espiral de expansão e crescimento sem fim. Fica mais complicado à medida que é analisado, por exemplo, através das rivalidades geopolíticas, desenvolvimentos geográficos desiguais, instituições financeiras, políticas estatais, reconfigurações tecnológicas e a rede em constante mudança de divisões do trabalho e relações…

Ver o post original 3.857 mais palavras

O que significa ser militante?

LavraPalavra

Aqui há uma profunda lição hegeliana: o que fica acentuado no palco trágico da vida é que o abismo existente, aquilo que nos separa e nos distancia do Outro, aquela ilusão que temos a respeito de uma pessoa que supostamente se encaixa naquilo que acreditamos, aquilo que me separa de você e do mundo, quando observado… (Inaudível no áudio), quando descubro que nada do que acredito ser, é aquilo que eu acredito ser, essa descoberta, para muitos dolorosa, se constitui como verdade. É a negação daquilo que acreditamos ser, o que constitui o que somos – como deixa evidente as lições de Fanon. E para nos projetarmos nessa negação é preciso negar aquilo que nos nega, ou seja, tornar indiferente as diferenças que me separam do outro, apreendendo-as na sua efetividade…

Ver o post original 2.655 mais palavras

“Estamos em um novo começo do pensamento marxista”

LavraPalavra

Entrevista de Alain Badiou por Mathieu Dejean, via LesInrocks, traduzido por Daniel Alves Teixeira.

Alain Badiou é um dos raros militantes maoístas franceses que não renunciaram ao seu compromisso de juventude, neste caso a União dos Comunistas da França Marxista-Leninista (Ucf-ml). Filósofo de renome mundial, traduzido em muitos países, ele é autor de um importante trabalho, dedicado tanto ao teatro, à poesia, ao amor quanto à política.

Ver o post original 3.253 mais palavras